Fantasmas que habitam nossa mente
- Pedro Zomer Juncklos

- 26 de mai. de 2020
- 1 min de leitura

- Eu sou você! - com olhos arregalados, ela grita.
Outro surto. Pelo menos estamos sozinhos, doutro modo, seria impossível acalmá-la. A casa está vazia, as janelas fechadas, a cozinha inacessível - pequenos preparativos para garantir pouco mais de segurança. Estamos na sala, mobiliada com pequenos sofás, grandes carrancas e dezenas de livros empilhados. Preciso levá-la logo ao quarto; este ambiente é assustador - imagino-a lendo algum poema. Preciso levá-la ao quarto; lá, está o velho toca-discos, Orfeu há de conduzí-la melhor do que eu.
- Somos um! outro grito, se afastando de meu toque.
- De certa forma, somos, sim.- respondi-lhe receoso do poder de minha voz. - agora, venha, vamos ao quarto... ande, siga-me!
Virei-lhe as costas e rumei em direção ao quarto, confiante de que logo ela me seguiria. Antes de chegar ao comodo sagrado, pude escutar uma ultima vez:
- Eu sou você!
Virei-me para ve-la, e ela havia desaparecido.
Outro surto



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